Encontros | Hérbat & Rachel | EERQ*

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SD O esperancense radicado em Natal/RN se encontra com Raquel de Queiroz, escritora. FONTE: Perfil Hérbat Spencer no facebook. TRATO: Evaldo Brasil.
Hérbat Spencer Batista Meira, via Facebook:

Certa noite tivemos alguns a sorte de conversar, aqui em Natal, durante quase quatro horas, em casa do Advogado Ilustre e Professor de Direito Murilo Barros Filho (Júnior), com Rachel de Queiroz, por força da amizade dela com o Dr. Murilo Barros (pai).

Ela sabia perfeitamente enfrentar essa realidade da sinceridade dos relacionamentos, e contou (até porque era u’a mulher fora de mira, não adiantava atirar nela que não havia mais como atingi-la) com nomes, que em sua homenagem omitirei, acerca de um colega escritor que resolveu saudá-la num primeiro aniversário dela a ser comemorado na Academia Brasileira de Letra, sabendo ela que ele simplesmente a detestava e até falava mal dela, e tendo se empenhado em impedir o acesso dela à ABL. Mas, era uma solenidade, ela não podia evitar, entretanto...

O orador fez-lhe elogios tantos que, ela sabia, segundo nos disse, vindos dele, não eram verdadeiros. Ele apenas aproveitava a oportunidade para dar a impressão de não haver dificuldades entre eles e aparecer como gentil e distinto, sem poder dizer uma palavra contra ela, na missão que ajustara, sabedor de que teria somente que dissimular.

Quando acabou a falação, Raquel, em sua insolência e inteligência, fez emitir duas vontades incontidas: uma que os demais entenderam, e outra que só ele entenderia, e disparou: “Não devo agradecer tantos elogios que me fez imerecidamente. Nada do que disse nesses elogios é verdadeiro, mas Vossa Excelência deve ter adorado fazer essa saudação, afinal, Vossa Excelência adora mentir.”

Eu ainda tentei explorar o máximo daquela noite especial. E perguntei: Professora Raquel, a senhora que trabalha com as palavras, poderia me dizer por que se fala de sinônimos, quando a gente sabe que nenhuma palavra é sinônimo de outra? Alguns gramáticos preferem usar sinonímia, para se restringir a palavras semelhantes ou de significado quase igual. Pois branco, alvo, níveo... são semelhantes mas não são iguais, sinônimos.

Ela consentiu comigo fazendo um ar pensativa e passou a discorrer sobre as diferenças entre os homens e as mulheres, sempre supervalorizando as mulheres e nos diminuindo aos homens. Que as mulheres eram mais fortes, que os homens não trabalharíamos se elas não nos incentivassem, que as mulheres são mais diretas, mais resolvidas, amadurecem mais cedo, enfrentam as dificuldades da gestação, da criação dos filhos... tanto e tanto, que, num certo momento, vendo que ela superava as feministas, intercedi: - Professora, vejo que se ninguém a interromper a senhora vai nos deixar aos homens ao rés do chão. Eu admito a igualdade absoluta entre homens e mulheres.

E ela, de chofre: - Dr. Hérbat, vejo que o senhor nem gosta de sinônimos, nem de antônimos!

Era u’a mulher especialíssima. Fora de mira. Criou seu próprio espaço, como cada um de nós deve ter o seu, e como dizem os alemães, embora não conheça a língua, mas, de tão interessante, guardei e aprendi a expressão: lebensraum - Espaço vital. Um mínimo indispensável! Lebensraum!


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