C49-177 De quando a Ala-Ursa foi às forras com o Homem-nu



I
Cansada de sofrer bullying
Cansada de ser caçada
Cansada do bole-bole
Cansada de emboscada
Ala-Ursa lá do polo
Resolve pisar em solo
Sem se parecer malvada:

II
̶ Se os dias do caçador
Parecem nunca ter fim
Por que o dia da caça
Nunca chegou para mim?
Assim eu me perguntava
Até, às vezes, gritava
Foi então que fiz assim:

III
Falei com um vereador
O susto foi de lascar...
Antes do governador
Com o prefeito fui falar
Nem deputado estadual
Nem deputado federal
Nem senador para sanar...

IV
Falei com um presidente
Até na ONU fui falar
C'uma cara de penitente
Deixei de ser um polar
Cruzei com uma dos pardo’
Meu filho no novo fardo
Conseguiu me replicar:

V
Por força da transgenia
Por força da natureza
Abolindo a eugenia
Reconstruindo a beleza
Pude ir além do instinto
Pude ocupar um recinto
De consciência e leveza

VI
Não vivi um bacanal
Coisas sem necessidade
Fui brincar o carnaval
Com arte e capacidade
Fui às forras no lundu
Revesti o homem-nu
Com a capa da bondade.

VII
Caçar já não caça mais
Volta a ser vegetariano
Agora ele vive em paz
Convivendo c’um vegano
E pra quem não conseguir
É bastante prosseguir
Tentando ano-após-ano.

Evaldo Pedro da Costa Brasil
(Esperança, 05 de abril de 2014)

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