C49-016 De como um Lobisomem se transformaria



I
Nas noites de lua cheia
Todo mundo se arrepiava
Esfriava o sangue na veia
Quando coruja cantava:
Era agouro, assombração,
Um sinal, manifestação,
Aviso que nos abalava.

II
Era um Lobisomem, a fera.
Que assim se transformava
Em currais, onde se esmera,
A bem do que ele sonhava:
Dizem que branda figura,
De fina estampa — cultura,
Feito burro, ele se espojava.

III
A mulher até teria, à noite,
Seguido o cabra e achado
A prova do seu pernoite
E viu o ritual encantado:
Na camisa, sete nós cegos,
Em cada sapato, sete pregos,
Sete giros no chão enluarado.

IV
Mas menino é bicho ruim
Certa feita andando armados
De balinheiras pra caçar
Ficaram uns oito acampados.
De bala de barro cozido
Os guris, tudo escondidos,
Atacaram um encapuzado.

V
Era um barbeiro, o coitado.
Daí, quando na barbearia,
Deixavam todo encabulado
O rapa-queixos. Diziam:
– É medo do fio da navalha
Ou algo que assim o valha
De por ele ser sangrado.

VI
As unhas de um cidadão
Se compridas, um perigo,
Se cortadas, um disfarce,
Orelhas de um Papa-figo:
Se assim nos metia medo
Já não ficava em segredo
A mão em vermelho figo.

VII
Assim se mostrava suspeito
Em nossa fértil imaginação
Mas nunca se viu o conjunto
Em ninguém, a combinação,
Era só nas cabeças da gente
Que pairava medo inocente…
Uma parte da nossa formação.

• Extra •
Esta registrada mais uma versão
Baseada em fatos ou narrativas
Revelando segredos de aparição
As fórmulas mágicas, nativas.
Se davam certo, nunca saberei,
Intentar um teste, nunca pensei,
– Leve essas coisas na esportiva!


Evaldo Pedro da Costa Brasil
(23 de Janeiro de 2008)

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