C49-015 Quando a Porca pelos Correios grunhia


I
Quando a tal da Porca
Numa noitada aparecia
Gelava a espinha de todos
Todo mundo se escondia:
Era um grande tumulto,
Pelo que estava oculto,
Quando ela assim saia.

II
O falatório era enorme
Os meninos se armavam
As verdades e as mentiras
Aos poucos se misturavam
Os pais usavam do mito
E entre o dito e o não dito
As noitadas se evitavam.

III
Quem não se arrepiava
Com a Porca em sua arenga
Quando ela perambulava
Caqueava, em pés de quenga:
Calçada; de estopa vestida,
Foi uma das que nessa vida
Jamais se diga: era molenga!

IV
Como Porca, transformado,
Até de um macho já se disse
Imaginem bem esse coitado,
Diante do disse-me-disse:
Por um lado meteu medo
Por outro guardou segredo
Da infância até a velhice.

V
A molecada era traquina
Com balinheiras na mão
Corriam por beco e esquina
Procurando a tal aparição.
Conta uma figura do samba
Que ficava na corda bamba
Com medo de assombração…

VI
…Das unhas do lobisomem,
Do despudor dos homens-nus
Dos grunhidos que se somem
Dos vôos rasantes de urubus.
E quando a Porca tão falada
Perto dos Correios, baleada,
Só se ouvia agouro de anus.


VII
Quando a Porca pelas ruas,
Pelo Beco do Correio grunhia,
Sonhar com mulheres nuas
Era o que muito macho fazia:
Ante os tabus e os pudores
Matutavam em seus valores
Entre o que era e o que só parecia.

Evaldo Pedro da Costa Brasil
(10 de Janeiro de 2008)

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