C49-014 Quando o Homem-nu no cinema aparecia


I
Quando o tal do Homem-nu
No Cinema Ideal aparecia
Gerava espanto de todos
Todo mundo se espremia:
Era o maior dos bafafás,
Ninguém ficava pra trás,
Quando ele assim agia.

II
O corre-corre era grande
Diante daquela figura
O pouco pelo que tinha
Não moldava a escultura:
Nem escondia as partes
Nem evitava o desastre
Do temor das criaturas.

III
Quando o tal do Homem-nu
Na Rua de Areia aparecia
Ou quando ele caminhava
Como em passe de magia:
Ora por trás do Caobe,
Como é que desce e sobe
Do centro e à periferia?

IV
Como seria transportado,
De uma parede a um paredão
Imaginem esse danado,
Aqui e acolá, em sua aparição:
Na mesma hora ele estava
Em todo canto se avistava
Mesmo tempo, mesma ação.

V
E as vítimas preferidas?
Há quem diga que havia
E todas bem escolhidas
Bonita, bem nova ou sadia:
Consta que branda figura
De fino trato e boa cultura
Deixava o cara em agonia.

VI
Ele no alto de sua patente
Ou no posto de empresário
Ou mesmo enquanto machão
Pra muitos foi um salafrário:
Não sentir frio no inverno
Nem temer ir pro inferno
Agindo como um ordinário.

VII
Prefiro pensar que isso tudo
Não passou de uma ventura
Do tempo do cinema mudo
Nosso jeito de ser, da cultura,
Da criatividade desse povo
Do jeito que enfrenta o novo
Quer sufocar as agruras.

• Extra •
Está passada a mensagem pensada
Banabuyê é meu sonho de infância
Revendo fatos sem culpar a ninguém
Apontando apenas nossa ignorância.
Se alguém se incomodar, quem dera,
Isso pede fazer do meu sonho quimera
Livrai-nos Deus do poder da ganância.


Evaldo Pedro da Costa Brasil
(08 de Janeiro de 2008)

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