C49-038 E um Poeta se Faz Palhaço no Circo Louco da Vida



(A poesia de Silvino Olavo II) Releitura do poema "O Meu Palhaço" está na página 04 do Boletim Virtual

(O soneto O Meu Palhaço, de Silvino Olavo é aqui relido na forma de sétimas. Esse exercício de escrita é uma tentativa de entrar no íntimo do poeta através de um dos seus trabalhos mais belos e, a partir daí, apresenta-lo em sua leitura da condição humana, sua inquietação diante da indiferença a qual nós somos conduzidos nas relações interpessoais.)

I
Qualquer um ser humano
Com amargura remoída
Só se negaria a reclamar
Diante da tortura atrevida
Se tivesse coração de aço…
E um poeta se faz palhaço
No circo louco da vida.

II
Seu coração é um acrobata
Ele sorri da própria ferida
Se opondo a mal tratante dor
Serenando a dor da sua lida
Entre a glória e o fracasso…
E um poeta se faz palhaço
No circo louco da vida.

III
A multidão desata em riso
Mas não percebe a medida
Que assiste as suas piruetas
Amenas, tragédia escondida,
Que não se expõe um traço…
E um poeta se faz palhaço
No circo louco da vida.

IV
Mas há de vingar descaso
Da platéia nada esclarecida
Que assiste ao ato paradoxal
Enquanto sai envaidecida,
Amarrada ao próprio laço…
E um poeta se faz palhaço
No circo louco da vida.

V
Mas se ninguém percebe
A dor que o poeta trucida
É inumano não senti-la, pois,
A todo instante remordida,
Ao coração causa inchaço…
E um poeta se faz palhaço
No circo louco da vida.

VI
Mas há de provar a todos
Que a dor deveras parecida
Das tragédias sua e coletiva
Em todos nós escondida,
Faz morada e faz regaço…
E um poeta se faz palhaço
No circo louco da vida.

VII
Com “O meu palhaço” revisto
Poesia nobre aqui relida
Poema de angústia e jura
Lira da afronta merecida
Renovo a alma, renasço…
E um poeta se faz palhaço
No circo louco da vida.

Evaldo Pedro da Costa Brasil
(24 de Março de 2008)

veja a primeira capa


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