C49-011 O Sumiço do Lobisomem que Era um Bode Mascarado


I
Sempre há de tudo um pouco
Nas origens, em qualquer vila,
Mitos de heróis desbravadores
Mulher machona que virava gorila.
Figuras pitorescas, desmioladas,
Marias e Adélias, vidas frustradas,
Até o uivo de um lobisomem sibila.

II
Sob uma máscara de pele de bode
Circulava nas noites sem energia
Para seus encontros amorosos
A dois, a três, em suruba ou orgia.
Em sua atuação assustadora
Atacava das negras às louras,
Casadas e solteiras, quando agia.

III
Em suas ações de vadiagem
Quando pelas partes combinado
Gemidos, uivos e os assobios,
Pra outros ficarem afastados.
Tudo corria na mais santa paz
Para jovens moças e pro rapaz
Naquele animal transfigurado.

IV
Mas nem todos deixavam pra lá
Já que muitos tiravam proveito
Para agir nas madrugadas de lua
Era preciso no artista dar um jeito.
Em tocaia pegaram o marginal
Em sua porta deixaram um sinal
Máscara presa à porta do sujeito.

V
A povoação não tinha energia
E o escuro da noite estimulava
A tradição de contar Trancoso
E as assombrações congelavam.
À mesa, nas antessalas, sentados,
Crianças e adultos tão admirados
Pelos mistérios que se narravam.

VI
O uivo agudo já não se faz voraz
Estão quase extintos até os guarás
As lobas circulam por alguns reais
A falta de luz já ficou bem pra trás.
Pelos e unhas crescidos, enormes?
Patas e orelhas humanas disformes?
Na vida moderna não existem mais.

VII
O lobisomem partiu depois da tocaia
Não se sabe se voltou por aqui
Evitou falatório, a polícia e a vaia.
Fugiu pelos fundos, decidiu sumir.
Assim, pelo mundo, ele se perdeu,
Nada se sabe do que lhe sucedeu…
Foi fazer companhia ao moleque Saci.

Evaldo Pedro Brasil da Costa
(27 de Dezembro de 2007)

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