C49-010 Saudade da Porca do Dente de Ouro


I
Ela já não circula entre nós
Em sua performance encantada,
Nossa formosa Porca libidinosa
Com sua dentadura dourada.
Mas, teria sido pela sua vida,
Aquela mulher, em sua lida,
Má, ou só mal interpretada?

II
Teria sido por incoerência ou
Vítima de um imposto sacrário?
Ou mesmo uma total descrença
Que a revoltou contra o berçário?
Seria pela intolerância dos pais?
Algo em que se errou demais?
Tornar inimigo um adversário?

III
Teria sido ato de ninfomania
Ou ato de amor e coragem?
Fruto de fêmea em rebeldia?
Um choque na politicagem?
Por não suportar o inculto
Ser alcunhada de ser bruto
De bebedora de lavagem?

IV
Houve quem isso negasse
Temendo um poder fugaz
Houve quem se enamorasse
Ante a moça, no que apraz.
Mas eis que a bala comeu
A comunidade então temeu
A morte dela, azar do rapaz.

V
Não se tinha energia elétrica
Mas havia muita imaginação
Humor contado de Trancoso
Terror de mito – assombração.
Circulava por todas as classes
Refletia-se em todas as faces
Entre o trágico e o dramalhão.

VI
Por pudor ou por preconceito
Girar na roda do prazer viraria,
Pecado mortal, erro, afronta,
Insanidade, verdadeira porcaria,
Pela casa paroquial, pelo correio,
Como no fim de Julieta e Romeu,
Um final shakespeariano se via.

VII
Então, vai-se perder na memória,
O que quase dava numa morte
E nem entrou para a história?
Essa mulher e sua pouca sorte!
Ela já morreu, o mito revive,
Já há tantas, – Deus me livre!
Nenhuma com o mesmo porte.

Evaldo Pedro Brasil da Costa
(26 de Dezembro de 2007)

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