C49-174 Quando desatava os nós


(Um ET fazendo amor, pra dar o exemplo pra nós)

I
Era noite, eu não dormia
Lua cheia, céu estrelado
Fui caminhar acelerado.
Quando desatava os nós
Ouvia ao longe, algo gemia
A noite fria, sem calor
Em reverência, os girassóis.
II
Lá no jardim, cheirava forte
O benjamina, seu aflorado
Quis lá ficar acalantado.
Quando desatava os nós
Eu via longe, no rumo norte
Feito espinho de beija-flor
Armadilha dos anzóis.
III
Quando desatava os nós
Lua pálida e um ser alado
Me fez parar, ficar calado.
Abastecido em outros sóis
Numa encantadora orgia
Amanhecendo em louvor
No desenrolo dos lençóis.
IV
Lá no mural daquela escola
Um coração dilacerado
Uma lição, por regalado.
Quando desatava os nós
Vem nos dar uma esmola
Um ET fazendo amor
Pra dar exemplo pra nós!
V
Figura estranha, ato nobre
Eu lá estava, arregalado
Estupefato, admirado...
Quando desatava os nós
Doando a vida, coroado
Deixando a esmo seu andor
Gastando a força dos faróis.
VI
Ser temeroso em aparência
Estava lá, manifestado
Em corpo, materializado.
Quando desatava os nós
Via o divino, ponderado
Se dar ao outro sem pudor
Sem se importar com o algoz.
VII
Era noite, eu não dormia
O benjamina, seu aflorado
Me fez parar, ficar calado.
Quando desatava os nós
Era um ET fazendo amor
Pra dar exemplo pra nós!

Evaldo Pedro Brasil da Costa
(Esperança, 11 de março de 2014)

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