C49-138: O Jumento é nosso irmão maior


ISPICIÁ PRO RIBULIÇO NA FÊRA II
(Outro dia vi um deles bem novin’ caminhando no centro da cidade)

I
Sempre que me falam do danado
Lembro a manchinha no lombo
O resultado não de um tombo,
Mas do xixi, dizem, derramado
Pelo menino Jesus de Nazaré
O preferido pra não andar a pé
Sem querer deixar o bicho cansado.

II
Asno seria o seu nome primeiro
Um sincopado de asinu, do latim
O burro também surgiria assim
De burricu, nos informa dicioneiro
É ‘cavalo pequeno’, pois primos
Seu nome todo é Equus asinos e
Jumentu também é um verdadeiro.

III
Se burro derivou por regressão
E burrico agora é igual burrinho
Eu afirmo manifesto de carinho
Se for grande o chame de asneirão
Se for fraco e molenga é burrego
Mas não é miúdo qual borrego
Filhote da ovelha e o carneirão.

IV
Asinino, burro, jerico, orelhudo
São primos do Equus caballus
Cruzam até sem dó nem abalos
Viram mulo, mas tanto sortudo
São inférteis, mas ganham altura
Seguem vivos, ajudam na cultura
Do arado, da lavoura, em tudo.

V
De jackass, asno dito em inglês,
Surge o jegue nessa nossa região
Sem querer aumentar o galardão
Eu prefiro esse nome entre seis
Se quiser saber mais desse irmão
É só ouvir o nosso Rei do Baião
Diante dele eu não passo de freguês.

VI
Asno, burrico, jerico e orelhudo
Burrego, jegue, burro e jumento,
Janjão também ‘tá no pensamento
Seu Luiz talvez nos dissesse tudo.
Ao juízo me chega uma lembrança
Dali de perto da igreja de Esperança
Quem sabe até devesse ficar mudo:

VII
Outro dia vi um deles, bem novin’
Caminhando pelo centro da cidade
Na agonia de viver sua liberdade
Assediava uma jumenta o danadin’
Os carros paravam e a multidão
Ria humilde da tamanha gratidão
Que Deus deu pro regalo do bichin’.


Evaldo Pedro Brasil da Costa
(Em 25 de Abril de 2010)

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