C49-156 e C49-157 O Dia da Claridade

I
O sol bem que dera trégua
Pra luta que não vai mal
E depois da assembleia
Permitiu fechar sinal
Foi um tremendo apitaço
Soando que nem o aço
Nas ruas da Capital.

II
O trânsito respeitoso
Como o povo educado
Não forçou nem vaiou
Pelo contrário, parado
Assistindo essa volante
O popular nos garante
Apoio no protestado.

III
Seguiu-se para o Poder
Legislativo, derrotado
O requerimento do Frei
Anastácio, o Deputado
Restava só caminhada
Mas essa massa agitada
Foi inchando, resultado:

IV
A cabeça da serpente
Dá de cara com os leões
O portão entreaberto
Arreganha aos empurrões
E o tapete vermelho
Viraria um espelho
Pra se mirar em lesões.

V
Uma centena na frente
Outro tanto bem atrás
Nem se quisesse voltar
Quem no meio era capaz...
Como uma onda surgindo
Toda a gente foi subindo
No quartel dos marajás.

VI
Depois do canto feliz
E dos discursos de apoio
Do banheiro proibido
Dos encontros de coloio
O fato dá o tom da notícia
Na abordagem propícia
Separam-se trigo e joio.

VII
Na proporção que a fome
Joga contra o movimento
Inversa se faz em nome
Da adesão do momento
Mas a trama pra evita-la
Fechando a porta da sala
Cria o palco do lamento...

VIII
Na escadaria, cochilando
O susto ―Quede Querida?
A professorinha ligeira
Se lançou, assim, sumida
Se perdeu no quiproquó
Sem medo de um paletó
De madeira comprimida.

IX
Vai-e-vem a sua procura
Eu demoraria a revê-la
Retomando a brandura
Na querela por querê-la
Protegida de um trauma
De que virasse uma alma
Nunca mais ia se vê-la.

X
Ante os gritos de acuda
De uma professora caída
Temendo tiro, uma bala
Ao birôzinho recolhida
Sem saber pra onde ir...
―Calma! (Pude sugerir)
―Se enfia aí, encolhida.

XI
Foi aquela confusão
Só se ouvia pipoco
Corre-corre e bafafá
E o poeta feito louco
Sem saber onde ficar
Pula pra lá e pra cá
E grita até ficar rouco:

XII
“Abaixo a opressão”
Palavra de ordem ressoa
No hall que virou ringue
Na casa de João Pessoa
Palácio da Redenção
Depois da peregrinação
Do Lyceu, pela Lagoa.

XIII
Foi-se para Assembleia
Após acordo pequeno
E uma tarde inteirinha
Não deu para um aceno.
A intransigência reinante
Do Ricardo governante
Deixou no mesmo terreno.

XIV
O movimento mais forte
Se afirma na unidade
E a Paraíba do Norte
Ganha notoriedade
Quando o trabalhador
O palacinho ocupou
No dia da claridade.

_________________________
Evaldo Pedro Brasil da Costa
(Entre 31 de maio e 07 de Junho de 2011)

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