C49-149 Cordel das Águas Perdidas

(Pode até parecer piada, mas mandei cortar minha água)

I
Água, repito aquele bordão
É mesmo líquido precioso
Apesar de 2/3 do planeta
Virou um caso perigoso:
Só um tiquim’ é sem mágoa.
Pode até parecer piada, mas
Mandei cortar minha água.

II
O sistema entrou em colapso
Essa não é a vez primeira
Que faz falta em Esperança
E se some como em peneira.
Aqui, ali, lá em Manágua
Pode até parecer piada, mas
Mandei cortar minha água.

III
Da outra vez que ela sumiu
Numa espera desesperada
Comprava água de beber
Pra ver a roupa lavada
Pra tudo que se enxágua.
Pode até parecer piada, mas
Mandei cortar minha água.

IV
Vendo discursos, protestos,
Tinha que ter uma atitude
Diante do mal anunciado
Não temos sequer açude
Nem chuva aqui deságua.
Pode até parecer piada, mas
Mandei cortar minha água.

V
Não, isso não é brincadeira,
É um convite ao fim do jogo
Ao manifesto e de resto
Promover um boi-de-fogo
Fincar o pé no Aconcágua.
Parece até ser uma piada
De mau gosto feito anágua.

VI
Pense um corte coletivo
Deixando de ser cliente
Uma cidade inteirinha
Pedindo trato decente!
Pedindo que a solução
Empurrada com a barriga
Venha sem enrolação.

VII
Pode até parecer piada, mas
Mandei cortar minha água
Me religo a tal Cagepa
Desde que água me traga.
Do contrário, é imoral
Ou até criminoso, afinal
Pelo nada não se paga.

Evaldo Pedro Brasil da Costa
(Em 24 de março de 2011)

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