Eu falo é Nordestinês I

(Se da gente alguém mangar, se aqu’ete e espie o derredor)

I- Pense numa fala bonita/ Essa fala que a gente fala. Ela é igualzinha uma mala/ Como que feita de bauxita. É maneira como o algodão/ Ela é forte que nem trovão/ Pois tanto cala como grita.
II- Aumenta o papel, a solidez... Conto que todo mundo torça,/ ...A unificação dá nova força/ Ao nosso idioma: Português/ Mas pedin’ a Deus que ajude/ Agora eu frechero no açude/ Do regional, o Nordestinês.
III- Se da gente alguém mangar/ Achando que é mais, melhor,/ Se aqu’ete e espie o derredor/ Nem pegar ar, nem arengar/ Vai resolver esse trinchinchim/ Carece esperar um pedacin’/ E nas últimas, botar pra torar:
IV- Botar pra descer no féla/ No infeliz das costas ocas/ Cuidar de engomar a roupa/ Se acaso arrochar as goelas. Mas é melhor jogar buraco/ Do que arrancar um taco/ Do couro de quem apela...
V- Beber por aqui é tomar uma/ Seja a dose, seja um drinque/ Ao resenhar nunca brinque/ Num espanto diga: cuma? Não que queira dar migué/ É só pra que a gente dê fé/ Do que a gente tem de ruma.
VI- Não me aperreio encabulado/ Com a moléstia dos cachorros/ Só dou rolé com meus gorros/ Eu sou mesmo é um cagado*/ Sem que eu queira arrodear/ Muito menos, me encompridar/ Ah se eu fosse um estribado!
VII- Pra findar o moído em boa hora/ Estou terminando essa zoada: Evite um carão, uma mãozada! Dou um conselho, sem demora,/ Nunca invente de botar boneco/ Nem se bulir’ em seu parreco. Pegue o beco e vá-se embora.

*Sortudo, variante: cagado de sorte
Evaldo Pedro da Costa Brasil 
(Em 30 de Abril de 2010)
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