C49-133 Paixão de Cristo 2010 III


De quando o Judas morreu III
(Quando a corda falsa se fez verdadeira)

I
O corpo meio moído
Girava a cabeça tonta...
A cena já estava pronta
E o tornozelo doído...
Trabalhei pela manhã
E à tarde, lá, só o afã
De evitar mal ocorrido.

II
Vesti a túnica e o cinto
Nas partes incomodava
Todos viam como andava
É a verdade, não minto:
Era um Judas meio manco
Como quem usar tamanco
Chapado de vinho tinto.

III
Então, lapadas no lombo
Do Cristo antes traído
Me lembravam o ocorrido
Assim temia outro tombo
Eu em prece e comoção
Entre o medo e a emoção
Lia o vôo de um pombo.

IV
Da angústia e da dor do
Arrependido personagem
Eu viajava na coragem
A repetir divino amor
Sorte que me protegeu
Mas outro susto me deu
Não é que a corda apertou:

V
A peça posta primeira
Sem ser a de segurança
Apenas pra ser lembrança
Do suicídio, fez besteira
Resolveu fazer uma graça:
Foi quando a cordinha falsa
Fez-se forca verdadeira.

VI
Eu, de olho arregalado,
Fiz contagem regressiva
Numa postura inativa...
Laura apaga o alumiado:
Com a corda no pescoço
Não fiz o menor esforço
Para não ser enforcado.

VII
E com um figurino novo
Nem tirei a maquiagem
Para a plateia a imagem
Do suicida era estorvo.
Mas atuava para estar
Diante, a testemunhar,
O Cristo reinar de novo.

Evaldo Pedro da Costa Brasil
(Em 10 de Abril de 2010)

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